O Estresse Oxidativo pode ser caracterizado como um desequilíbrio entre a produção de radicais livres gerados no organismo e sua capacidade antioxidante. De forma a facilitar o seu entendimento vamos aos exemplos. Exposição solar (raios solares), metais pesados, poluição, a própria produção de ATP nas mitocôndrias, a desintoxicação hepática de xenobióticos (substâncias químicas estranhas ao organismo como fármacos, pesticidas), a auto-oxidação da dopamina na substância negra cerebral (Parkinson), a metabolização do etanol, são exemplos de situações em que temos a produção dos radicais livres.

Neste momento sua pergunta é: então o que são radicais livres? Conceitualmente, Radical Livre, é toda molécula que tem um elétron não pareado na sua órbita externa. Isso faz com que esta molécula se torne instável e reaja com outras moléculas do seu organismo causando alterações estruturais e danos celulares.

O resultado disso, são patologias inflamatórias agudas e também as doenças crônicas degenerativas. Se você já leu o tópico sobre Inflamação certamente ficou preocupado certo?! Pois é, o processo inflamatório e o estresse oxidativo participam da fisiopatologia de inúmeras patologias que nos adoecem atualmente. Entender este processo, como ele ocorre e, de certa forma, estabelecer estratégias de controle dos mesmos, são imprescindíveis para uma vida mais saudável e longeva. Repare na lista das doenças relacionadas com o aumento da produção de radicais livres:

  • dislipidemia/oxidação do colesterol (peroxidação lipídica);
  • doenças do sistema nervoso central como Parkinson, Demência;
  • aterosclerose;
  • diabetes;
  • doenças reumáticas;
  • inflamação;
  • gastropatias e colonopatias.

A lista não para por aí. Mas também é importante entender que os radicais livres tem sua importância e mecanismos benéficos para nós. Você já deve ter ouvido falar ou até mesmo ter usado em feridas o peróxido de hidrogênio, também conhecido como água oxigenada. Pois então, o H2O2 é um RL só que com propriedades antioxidantes. Um outro exemplo é o Óxido Nítrico. O NO- é um RL produzido sobretudo a partir do aminoácido arginina e tem como efeito produzir vasodilatação em todos os tecidos periféricos, diminuindo assim o débito cardíaco e os níveis de pressão arterial.

A grande questão então é entendermos que os radicais livres precisam ser controlados e não eliminados por completo. Sem eles não sobrevivemos. Até porque, provavelmente, o RL é o resultado do processo evolutivo dos seres vivos. Saímos de um sistema anaeróbico para o aeróbico, e com a utilização plena do oxigênio, geramos mais radicais livres, mas também produzimos vários sistemas antioxidantes e detoxificantes que hoje nos ajudam a conter várias agressões externas e internas. Tudo muito bem pensado e evolutivamente justificado não é mesmo?!

Diante do exposto você poderia se perguntar: será que o meu sistema antioxidante está funcionando corretamente? Estou gerando radicais livres em excesso? Existe uma maneira de quantificar esta relação? Bem, a aferição precisa dos RL não é algo tão simples de se fazer levando em consideração a sua alta reatividade. De forma mais prática conseguimos avaliar o estresse oxidativo através dos produtos oriundos das reações dos RL com compostos endógenos, caso dos lipídios, proteínas e DNA. Podemos também realizar a dosagem dos antioxidantes (que conheceremos mais adiante), caso das vitaminas, minerais, aminoácidos e enzimas antioxidantes. Uma forma prática, que realizo no consultório em amostra de urina coletada na hora é a dosagem de MDA (malonildialdeído), um produto final da peroxidação lipídica (metabólito este que hoje vem sendo utilizado de forma indireta para dosar LDL oxidado).

Visto todas as questões conceituais, vamos agora entender de que forma podemos ajudar nosso sistema antioxidante no controle do estresse oxidativo.

Como dito anteriormente, o nosso organismo apresenta seus próprios sistemas antioxidantes. Todo sistema antioxidante é composto por complexos enzimáticos e sustentado por cofatores, sejam eles minerais, vitaminas e outros. Ocorre que muitas vezes o sistema antioxidante endógeno não é suficiente, seja por carências nutricionais, por excesso de radicais livres, por sobrecarga de xenobióticos ou patologias já instaladas e amplificadoras dos processos inflamatórios e oxidativos.

Uma forma prática de “ajudar” nosso organismo é através do uso de antioxidantes exógenos presentes em alimentos ou via suplementação. Certamente muitos deles são conhecidos de vocês.

  • curcumina (açafrão)
  • frutas cítricas e vermelhas (fontes de vitamina C, bioflavonoides, protoantocianidina)
  • peixes (salmão, atum, sardinha, arenque)
  • óleos ricos em ômega 3 (linhaça, EPA, DHA)
  • chás (verde, cavalinha, centelha asiática, dente de leão)
  • pepino, aveia, sálvia, suco de uva integral, azeite de oliva

Sistema Antioxidante da Glutationa e suas funções.